terça-feira, 1 de julho de 2014

3 - A portaria e o office boy

Abrindo a porta de entrada, Carolina se viu na portaria.

Nela havia o balcão do porteiro, situado no meio do aposento, e mais dois elevadores, estes opostos um ao outro. No elevador da esquerda lia-se Para Funcionários, enquanto no da direita lia-se Para Clientes. As paredes eram revestidas com isolamento acústico e térmico, o que mantinha o silêncio e frescor no ambiente. No teto, acoplavam-se lâmpadas de led brancas.

Debruçado sobre o balcão, conferindo emails tridimensionais com seus óculos de realidade virtual, havia um office boy. Usava uma camisa de manga comprida, vestindo-a por dentro da calça jeans preta. Seu cabelo era arrepiado com pomada modeladora, e seu rosto, moreno e barbeado, revelava traços indígenas.

Enquanto Carolina fechava a porta de entrada, o porteiro apontou-a para o office boy dizendo:

— Lá está ela.

Ele, agradecendo-lhe o aviso, pendurou os óculos no pescoço e foi ao seu encontro, apertando-lhe a mão e dizendo:

— Seu último vlog rendeu muito dinheiro pra lanchonete. De terça pra quinta, aquilo virou um formigueiro. Todos queriam o milkshake de playboy malhado.
— Quer dizer o milkshake hipercalórico?
— Esse daí. Nossa, foi um saco! Não tinha estoque pra tanto.
— Dá pra perceber. Você parece bem cansado, Daniel.
— Eu tô um caco! Nem quero pensar em como será hoje. Não bastasse ser sexta, também é véspera de feriado.
— Hmm, verdade. Dia do Trabalho. Vocês vão abrir amanhã?
— Com toda essa venda de milkshakes? Com certeza.

Carolina deu tapinhas no ombro de Daniel e lhe disse, sorrindo:

— Desculpa por divulgar tão bem a marca de vocês.
— São águas passadas, Carol. O chefe não só te perdoou, como também te mandou um bônus pelas vendas.

Daniel puxou a manga da camisa até o cotovelo, revelando um bracelete de prata. Nele se acoplava um celular transparente, que estava manchado de dedos gordurosos.

Sem tirá-lo do pulso, Daniel sussurrou o comando:

— Transferir pra Senhorita Vilanova.

O celular de Carolina, guardado no bolso da calça, emitiu um bip eletrônico. Enquanto ela o retirava de lá, perguntou:

— Quanto é o bônus?
— R$200.
— Mesmo? Gentileza do Seu Osvaldo.

Acionando a tela do celular, Carolina leu a mensagem:

R$200 foram depositados em sua conta eletrônica.
Depositante: Daniel Bango

Já satisfeita, devolveu o celular ao bolso e disse:

— Diga a ele que mandei um abraço.
— Vou dizer que você mandou só "oi". Acredite: não vai querer dar intimidade pra ele.
— Tá tudo bem. Eu sei me cuidar. Aliás, ele melhorou da operação?
— Operação?
— É, você sabe: AQUELA operação.

Daniel levou a mão à boca, engasgado de susto.

— ELE TE CONTOU?

* * * *

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