domingo, 31 de agosto de 2014

49 - A ignorada

Valéria levou a mão à boca. Viu Carolina apoiar-se na parede, tentando manter o equilíbrio. O rosto dela ficou encoberto pelo cabelo, ganhando uma marca vermelha na bochecha, no formato dos dedos de Fernanda.

domingo, 24 de agosto de 2014

48 - Vulnerável

Fernanda olhou para o celular, fazendo cair uma mecha loira sobre a bochecha. Tentou ler os banners, cujas sílabas se movimentavam da direita para a esquerda, alternando entre o nome do produto, o preço à vista e os benefícios concedidos ao comprador.

Porém, como não conseguiu enxergar o que diziam, piscou os olhos para Carolina, sem saber do que ela falava.

sábado, 23 de agosto de 2014

47 - É proibido ser razoável

Carolina foi pega de surpresa. Como não escutou Fernanda se levantar, espantou-se com sua interrupção.

Com o pulso latejando, olhou de relance para a loira, cujo delineador, umedecido pelas lágrimas, borrara-lhe os olhos, arruinando a maquiagem.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

46 - A ex-candidata à embaixada bolsonária

A piada de Valéria, dita com tanta secura na frente de um idoso ensanguentado, foi um absurdo tão grande que acabou amenizando o ar da central. Tanto o humor inoportuno quanto a reação inabalada da jovem âncora reconfortaram o coração de Carolina. Era como se Valéria, por meio desta atitude, não visse motivo para pânico, mesmo diante de uma cena tão bárbara.

domingo, 10 de agosto de 2014

45 - Trocando o time

Com a chegada de Renato, Dalborga achou desnecessário ficar ali. Parando de andar em círculos, pegou sua toalha de rosto, que estivera se balançando ao redor do seu pescoço, e secou sua testa. Então, de cenho franzido, dirigiu-se para a porta do estúdio, com passos firmes e olhar penetrante.

sábado, 9 de agosto de 2014

44 - Dois desacordados e uma sonâmbula

Carolina estava numa saia justa. O temperamento de Dalborga e a aproximação tendenciosa de Alice desencorajaram sua permanência na central de vendas.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

43 - Paternalismo bruto

Carolina, sem saber se Dalborga falara com ela ou com Alice, resolveu ficar quieta. Contentou-se em cruzar os braços e se encostar na divisória, ficando parada ao lado da porta, cansada e emburrada, de testa franzida e peito em chamas.